Boletim G20 Ed.136 - G20 Social defende taxação dos super-ricos e financiamento climático
Organizações do G20 Social entregaram documento ao G20 Brasil com 11 recomendações para governança tributária, destacando a taxação dos super-ricos. O ministro da Fazenda do Brasil, Fernando Haddad, defende um mecanismo de taxação internacional dos super-ricos, e afirma que os recursos poderiam ser usados para o combate mundial às mudanças climáticas. Ouça a reportagem e saiba mais.
Repórter: As organizações da sociedade civil que integram o G20 Social entregaram à Trilha de Finanças do Fórum um documento com onze recomendações na área de governança tributária e internacional. A carta aponta a urgência de que políticas fiscais tenham os direitos humanos como princípios orientadores. Outro ponto destaca a necessidade da taxação dos super-ricos e da cooperação internacional para o financiamento climático.
A economista Nathalie Beghin, do Instituto de Estudos Socioeconômicos, entregou o documento ao G20 Brasil no encerramento de um Simpósio de Tributação Internacional, em Brasília. Ela esteve diretamente envolvida na elaboração das recomendações e celebrou a iniciativa da presidência brasileira de ampliar a participação da sociedade civil nos diálogos do fórum de cooperação mundial.
Nathalie Beghin: Entendemos que é essencial a participação da sociedade civil no debate sobre processos de tributação internacional.
Repórter: O ministro da Fazenda do Brasil, Fernando Haddad, recebeu o documento e destacou a importância das propostas da presidência do fórum para provocar o debate por mudanças estruturais na tributação internacional. Haddad disse que a desigualdade no Brasil revela o que acontece no mundo.
Fernando Haddad: O que o Brasil está pretendendo neste G20 é oferecer uma proposta de pilar 3 da OCDE. É como se nós tivéssemos avançando aos poucos para aquilo que pode efetivamente ordenar as nossas instituições em proveito de uma saída global para os nossos desafios.
Repórter: O ministro Fernando Haddad reforçou o empenho do Brasil em encontrar na cooperação internacional soluções para a taxação dos super-ricos, principalmente diante da concentração de riqueza e ameaça climática.
Fernando Haddad: É relevante a decisão do presidente Lula de trazer para o G20 um tema tão importante como este, porque a questão da fome, a questão da mudança climática estão associadas à questão do financiamento. Mas é preciso pensar estruturalmente nesses problemas.
Repórter: O economista francês Gabriel Zucman defende a implementação de um imposto mínimo sobre a riqueza dos bilionários, como uma medida essencial para enfrentar as desigualdades globais. Ele participou do Simpósio na capital federal. Em conversa exclusiva com a reportagem do G20, Zucman defendeu uma taxação justa dos super-ricos como um passo crucial para uma globalização que beneficie a todos.
Gabriel Zucman: A proposta é criar um novo padrão internacional que seria o princípio de que em cada país os bilionários têm de pagar em impostos todos os anos pelo menos 2% da sua riqueza. Alguns deles já pagam, mas a maioria dos bilionários do planeta paga muito menos do que isso.
Repórter: Zucman informou que a taxação dos super-ricos atingiria cerca de 3 mil indivíduos em todo o planeta, dos quais cerca de 100 na América Latina. Em contrapartida, a taxação teria potencial de arrecadar cerca de US$ 250 bilhões por ano.