Boletim G20 Ed. 201 - Evento inédito no Rio de Janeiro amplia a participação popular no G20
Encontro preparatório integrou a sociedade civil e movimentos sociais nas discussões do G20, rompendo com as práticas tradicionais do fórum. Agenda reforça a importância da participação social contínua e efetiva para enfrentar desafios globais como fome, pobreza, mudança climática e governança global, temas prioritários da presidência brasileira. Ouça a reportagem especial e saiba mais.
Repórter: Mais de mil representantes de movimentos sociais e da sociedade civil brasileira participaram do Encontro Preparatório da Cúpula Social do G20, realizado na Fundição Progresso, no Rio de Janeiro. O evento, promovido pela Secretaria-Geral da Presidência da República, busca fortalecer o diálogo entre a sociedade civil e os líderes das 20 maiores economias do mundo. Entre os principais temas abordados, estiveram as prioridades da presidência brasileira do G20 que são: combate à fome e à pobreza, mudanças climáticas e a reforma da governança global. Antônio Lisboa, da Central Única dos Trabalhadores ( aCUT), destacou que a iniciativa permite que os movimentos sociais levem suas pautas para o debate global.
Antônio Lisboa: Quando você consegue juntar todos esses setores da sociedade civil para discutir e apresentar propostas do chefe de estado. Sem dúvida nenhuma, é um salto, é um passo a mais, um salto não só para o G20 do Brasil, mas para os próximos.
Repórter: Preto Zezé, da Central Única das Favelas (Cufa), enfatizou a importância de levar as discussões do G20 Social para as favelas. Segundo ele, isso permite que haja inclusão das comunidades em novos espaços de participação.
Preto Zezé: Vamos levar então as conferências até as favelas para que a gente possa trazer o máximo possível da visão das pessoas que vivem onde os desafios mundiais, globais, para dentro do lugar onde os líderes estão discutindo as soluções.
Repórter: Bárbara Loureiro, da direção nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) falou da importância do Encontro Preparatório. Ela defendeu a reforma agrária, agroecologia e produção de alimentos saudáveis como soluções fundamentais, enfatizando a participação da sociedade civil nesse processo.
Bárbara Loureiro: A gente não quer que as pessoas superem a fome com qualquer alimento, mas o alimento saudável produzido em outras relações sociais e da soberania alimentar como uma agenda também de direitos dos povos de escolha.
Repórter: Clemente Lucio, coordenador do Fórum das Centrais Sindicais, ressaltou a importância de incluir a dimensão do trabalho nos debates do G20, visando enfrentar a pobreza e a desigualdade. Ele apresentou quatro propostas para o G20 Social.
Clemente Lucio: Cada vez, de forma mais intensa e rápida, o mundo do trabalho tá mudando e nós precisamos regular essa mudança na hora que ela tá ocorrendo, não 10 anos depois que ela já ocorreu.
Repórter: Elisabetta Recine, presidenta do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), valorizou a participação da sociedade civil no G20. Ela destacou a importância de combinar ações imediatas com transformações estruturais para combater a fome e a pobreza, reforçando que a experiência brasileira de participação social pode inspirar outras nações.
Elisabetta Recine: Essa experiência brasileira de participação social, que não é uma experiência recente, ela vai se atualizando à medida também que os desafios de transformação vão ficando cada vez mais complexos. Então, essa oportunidade de você trazer a sociedade civil para discutir as questões é algo fundamental.
Repórter: Nathalie Beghin, do Instituto de Estudos Socioeconômicos (INESC) defendeu a taxação dos super-ricos e a cooperação tributária global para combater a evasão fiscal e aumentar a arrecadação. Ela acredita que reformar instituições internacionais e incluir essas questões no G20 pode gerar recursos para enfrentar crises e desigualdades.
Nathalie Beghin: É preciso cooperar para poder, entre países, para poder evitar a sangria de recursos que os fluxos financeiros ilícitos gera. As empresas e as pessoas muito ricas montam estratégias para evadir impostos e com isso os estados deixam de arrecadar bilhões, então, é preciso incluir o tema da cooperação em matéria de tributação.
Repórter: Os ministros brasileiros Wellington Dias (Desenvolvimento Social), Marina Silva (Meio Ambiente) e Márcio Macêdo (Secretária-Geral da Presidência) participaram do Encontro Preparatório da Cúpula Social do G20. Eles reafirmaram o compromisso do Brasil em ampliar a participação social no fórum. Márcio Macêdo falou da importância histórica do G20 social no Brasil, e reforçou que o evento preparatório busca definir temas e integrar propostas para a cúpula de novembro.
Márcio Macêdo: Hoje começa a organização desses três temas para que a gente possa chegar na Cúpula Social com os temas bem definidos, bem debatidos, para que as pessoas possam participar.
Repórter: Marina Silva falou do compromisso do Brasil com a transição energética e a cooperação internacional em tecnologias renováveis.
Marina Silva: Nós temos uma agenda robusta em vários temas como, por exemplo, a questão de termos uma matriz energética mais de 40% limpa, de estarmos conseguindo com o plano de prevenção e controle do desmatamento uma redução altamente relevante do desmatamento na Amazônia, ou seja, o Brasil deixa a marca de liderar pelo exemplo.
Repórter: O ministro Wellington Dias enfatizou a mobilização coordenada pelo governo brasileiro para a integração das agendas de segurança alimentar, redução da pobreza e compromisso climático.
Wellington Dias: Em novembro, tem a Cúpula e depois? Depois, nós queremos a ONU, com todos os seus organismos, cuidando de fazer cumprir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentáveis 20 e 30 onde como é que a gente ao mesmo tempo tem segurança alimentar e como fazemos isso com a preocupação com o compromisso com o clima.
Repórter: As discussões iniciadas no encontro preparatório serão consolidadas em um documento, que será submetido à plataforma G20 Social Participativo, lançada pela presidência brasileira do G20. Pessoas, movimentos sociais, ONGs e governos podem enviar propostas. A plataforma servirá de base para a Cúpula do G20 Social. Ainda no evento do Rio de Janeiro, foi anunciada uma estratégia de comunicação para envolver a sociedade no G20, com uma cobertura que inclui grupos diversos e formatos inovadores. Conforme Brunna Rosa, Secretária de Estratégia e Redes do Governo Federal, a ideia é que cada grupo cubra o evento com sua própria identidade, ampliando a comunicação de forma colaborativa.
Brunna Rosa: Nós estamos lançando uma cobertura colaborativa convidando todos os coletivos, movimentos, entidades, grupos que estejam querendo participar desse G20 Social para que a gente consiga fazer com que a rede consiga falar sobre o mesmo assunto de formas diferentes respeitando a sua individualidade.
Repórter: A Cúpula Social do G20 será realizada entre os dias 14 e 16 de novembro no Rio de Janeiro, antecedendo a Cúpula dos chefes de Estado e de Governo.