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O que as futuras presidências do G20 devem fazer pelas crianças?

O Crianças no G20 faz um chamado urgente para as próximas lideranças do fórum, para que possam promover o desenvolvimento equitativo, a sustentabilidade e a resiliência econômica, colocando crianças e adolescentes no centro das decisões.

29/11/2024 13:03 - Modificado há 4 meses
O Crianças no G20 convoca as lideranças do fórum a priorizarem crianças e adolescentes nas decisões, promovendo equidade, sustentabilidade e resiliência econômica. Foto: Shutterstock
O Crianças no G20 convoca as lideranças do fórum a priorizarem crianças e adolescentes nas decisões, promovendo equidade, sustentabilidade e resiliência econômica. Foto: Shutterstock

O grupo Crianças do G20, formado a partir do engajamento de diversas organizações brasileiras e internacionais, surgiu a partir do reconhecimento de que é necessário fortalecer mais compromissos globais, bem como a alocação significativa de recursos para a proteção dos direitos e a participação efetiva de crianças e adolescentes em processos políticos e de tomadas de decisão do G20. 

Investir nas áreas prioritárias propostas pelo grupo, como redução da pobreza, combate à  fome, saúde e saúde mental, justiça climática e transição energética, educação, digitalização e tecnologias, igualdade de gênero e raça, não só promove resultados positivos para as novas gerações, mas também fortalece comunidades e gera retornos econômicos mais sustentáveis. 

Com o encerramento da presidência brasileira do G20, torna-se essencial reforçar o compromisso com o reconhecimento de que investir em crianças é investir no presente e no futuro do capital humano, promovendo um crescimento mais equitativo e preparando o caminho para uma economia mais resiliente e inovadora. É justamente por meio de uma potência conjunta e plural que pretendemos avançar com as nossas pautas nas futuras presidências do G20.

A participação formal de crianças e adolescentes em fóruns globais é um marco que as organizações do Crianças no G20 vem defendendo há décadas. O grupo tem a ambição de abrir um espaço formal para as crianças no G20, como um Grupo de Trabalho dedicado a elas e eles no Grupo de Engajamento da Sociedade Civil (C20), ou mesmo a criação de um Grupo de Engajamento exclusivamente dedicado às infâncias e às adolescências.

Crianças e adolescentes no centro das decisões globais

E como a agenda dos direitos de crianças e adolescentes impacta localmente na realidade de comunidades e países? Uma referência importante nesse sentido é o modelo “Child-Lens Investing Framework” (“Investimento pelo olhar das crianças”), desenvolvido pelo UNICEF, que propõe uma estrutura de avaliação do impacto de estratégias de investimentos nas novas gerações, e também da participação significativa de crianças e adolescentes nos processos de tomada de decisão, considerando suas necessidades em cada fase do processo. 

As decisões políticas e de investimento devem proteger crianças e adolescentes de situações que comprometam sua dignidade, integridade física,  psicológica e desenvolvimento seguro. É essencial considerar que o bem-estar infantil é influenciado pelo ambiente familiar, comunitário e social, bem como levar em conta identidades diversas, como gênero, nacionalidade e status legal, que influenciam a capacidade de prosperar. Ou seja, precisamos de abordagens integradas, interseccionais e uma visão multisetorial sistêmica. 

Da mesma forma, as políticas públicas e decisões de investimento devem respeitar as diferenças culturais nas concepções de infância e adolescência e seu impacto como eixo central, para melhor atender às necessidades de crianças e adolescentes e evitar danos. Para isso, precisamos assegurar que a participação deles e delas seja significativa e contínua, promova a inclusão e representatividade autêntica. É essencial criar estruturas que capacitem crianças, adolescentes e jovens a liderar, resolver problemas comunitários e influenciar políticas. Mecanismos formais, relações intergeracionais e monitoramento do impacto garantem legitimidade e promovem melhorias contínuas, promovendo um engajamento transformador e consolidando um compromisso estratégico com o futuro.

O Crianças no G20, por seu caráter global e plural, tem a oportunidade de pavimentar e nutrir a construção dessa visão de impacto coletivo, e de influenciar a agenda de empresas, governos, organizações, estratégias de impacto e ESG para criar e fortalecer recursos e oportunidades de incidência política para avançarmos de forma efetiva para o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). 

Os líderes políticos, gestores públicos, empresários e investidores sociais devem reconhecer que apoiar a infância é uma estratégia de longo prazo para um desenvolvimento humano, planetário, econômico e social mais sustentável. Tais atores também devem reconhecer boas práticas para melhorar os resultados para crianças e adolescentes, por meio da adoção de políticas amigáveis para elas e para as suas famílias, criação de veículos de financiamento misto e identificação explícita de iniciativas com foco em crianças e adolescentes, e articulação de ações de comunicação e sensibilização da opinião pública.

O Crianças no G20 não é apenas uma ação simbólica, mas um chamado pela ação urgente para impulsionarmos o desenvolvimento equitativo intergeracional, a defesa dos direitos humanos, a sustentabilidade planetária e a resiliência econômica. 

Quando as crianças são colocadas no centro das decisões, os benefícios ecoam por gerações, fortalecendo comunidades e fomentando uma sociedade mais justa e inovadora. A proposta do Crianças no G20, inspirada pelo modelo mencionado do UNICEF, pode direcionar recursos de forma eficaz, mensurando e maximizando impactos sociais. Isso exige ações escaláveis, parcerias multissetoriais e monitoramento rigoroso para transformar políticas em compromissos concretos, como investimento direto e fomento. 

Priorizar o investimento em crianças e adolescentes é a decisão mais inteligente que podemos tomar como sociedade. Afinal, não se tratam de beneficiários passivos, mas de protagonistas e agentes de transformação que têm o direito de participar de discussões de impacto global. Somente com esforços conjuntos podemos alcançar a visão proposta pelo grupo Crianças no G20, criando as bases para uma era de crescimento mais justo, inclusivo, sustentável e resiliente, em que toda criança atinja seu máximo potencial.

O grupo "Crianças no G20" é composto por Save the Children, Plan International, Instituto Alana, ANDI - Comunicação e Direitos, Childhood, FamilyTalks, Fundação José Luiz Egydio Setúbal, Instituto Promundo, Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, Centro Internacional de Estudos e Pesquisas sobre a Infância (CIESPI/PUC-Rio), Coalizão Brasileira pelo Fim da Violência contra Crianças e Adolescentes, Associação pela Saúde Emocional de Crianças (ASEc+), Soulbeegood, Vertentes - Ecossistema de Saúde Mental, Global Mental Health Action Network, Instituto Árvores Vivas para Conservação e Cultura Ambiental, Instituto Jô Clemente e Rede Nacional Primeira Infância (RNPI), Orygen, ItotheN e Catalyst 2030.

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