Reforma da Arquitetura Financeira Internacional é essencial para enfrentar crises globais, defendem especialistas no G20 Talks
Durante debate no evento Cria G20, economistas e influenciadores discutem os desafios da governança financeira global e a urgência de modelos mais inclusivos e sustentáveis, com ênfase na justiça social e equidade. Educação financeira pode ser chave para ajudar a população a compreender como a política economia afeta suas realidades.

Por Mara Karina Sousa-Silva/Site G20 Brasil
A agenda brasileira no G20 para impulsionar a reforma da Arquitetura Financeira Internacional foi a âncora dos debates do G20 Talks desta sexta-feira, 15/11. A atividade que integra o Cria G20 reuniu o economista Gabriel Galípolo, que deve assumir nos próximos dias a presidência do Banco Central do Brasil (BCB); a administradora e influenciadora brasileira Nathália Rodrigues (Nath Finanças) e Isabella Weber, economista alemã e professora da University of Massachusetts Amherst, nos Estados Unidos. A discussão foi mediada por Eduardo Moreira, empresário e
De acordo com Galípolo, o mundo se encontra numa grande bifurcação sobre o tema e lideranças globais têm questionado o formato dos processos da governança financeira e promovido uma espécie de “desglobalização” dessa arquitetura para racionalizá-la. Já o Brasil, bem como outros países, defendem a “reglobalização”, no sentido de criticar os problemas já ocorridos, a buscar inserir novos critérios de gestão mais democráticos como, por exemplo, sustentabilidade e promoção da justiça social.
“A proposta dessa nova arquitetura global que o Brasil tem se alinhado e defendido é como é possível avançar para que a gente possa ter outros parâmetros e outros critérios para a arquitetura financeira global que vai olhar para a justiça social e sustentabilidade ambiental”, pontuou.
A economista alemã Isabella Weber destacou a necessidade urgente de reformar a arquitetura financeira internacional em um momento em que a ordem econômica herdada dos anos 1970 está se desintegrando. “Estamos no início de uma terceira fase, onde o sistema atual está colapsando tanto em termos de comércio quanto de estabilidade financeira”, afirmou Weber.
Weber ressaltou como crises climáticas, tensões geopolíticas e choques de preços de commodities têm exposto vulnerabilidades nos modelos econômicos globais, pedindo maior cooperação internacional para superar essas barreiras. “Precisamos de mecanismos de equilíbrio que não perpetuem hierarquias globais, mas promovam maior equilíbrio e estabilidade. É hora de revisitar visões de cooperação que busquem estabilidade econômica e civilidade comunitária”, concluiu a economista.
Impactos da inflação
Nath Finanças falou sobre os impactos da inflação na vida da maioria da população. Dados econômicos dos países do G20 têm se debruçado para resolver a questão e a queda do poder de consumo por conta da recuperação ainda lenta dos impactos da pandemia da Covid-19 sobre as economias. A influenciadora defendeu a educação financeira para que as pessoas consigam compreender os impactos das oscilações econômicas nas próprias realidades.
"Educação financeira não é só para falar sobre investimentos, para quem é rico, falar do quanto você gasta e o quanto você ganha. É entender os mecanismos como taxa SELIC, inflação, bolsa de valores e o mercado financeiro para entender como a política monetária é feita e afeta nossa vida", ressaltou Nathália.